Areias de Vilar

Situada no sopé do monte de Airó, debruçada sobre as águas do Rio Cavado, na margem esquerda, a freguesia de Areias de Vilar conserva como núcleo essencial da sua identidade um riquíssimo património histórico que urge preservar e defender, quer do impiedoso e inevitável desgaste do tempo, quer da frequente e lamentável indiferença das autoridades competentes.

Com efeito, o conjunto arquitectónico da igreja e do convento de Vilar de Frades marcou definitivamente Areias de Vilar, dando-lhe uma feição peculiar, histórica, estética e cultural, de inegável riqueza e valor simbólico.

As qualidades do sítio, fértil e verdejante, fizeram de Areias de Vilar uma terra procurada por beneditinos da Alta Idade Média, que ali se terão instalado a partir do século VI, e por evangelistas (lóios), a partir dos fins da Época Medieval (primeiro quartel do século XV), construindo aí um futuro sempre renovado pelo gosto dos séculos passados. Hoje, Areias de Vilar orgulha-se da sua freguesia, que integra as três antigas freguesias de Vilar de Frades – S. Salvador, S. João e Stª Maria Madalena -, orgulha-se do seu passado histórico e da riqueza cultural, orgulha-se do seu presente que se projecta num amanhã que se quer risonho.

A bibliografia tradicional não se cansa de enaltecer as qualidades do lugar, depois dos relatos apaixonados dos cronistas da Ordem dos Lóios – Jorge de S. Paulo e Francisco de Santa Maria – que escreveram as suas memórias, o primeiro em 1658 e o segundo em 1697. Ora, como é sabido, o sítio desempenha um papel fundamental na implantação arquitectónica e, sem margens para dúvida, que qualquer monumento arquitectónico “marca o lugar onde está implantado, recriando íntimas relações com o sítio. A sua envolvência faz parte da sua memória histórica e estética”1.

Desde sempre a agricultura se afirmou como principal actividade económica.

A Água cristalina de tempos idos – e o desejo firme de despoluirmos o nosso rio –, o Sol da nossa terra – que tanto iluminou imemoriais frades de S. Bento aqui terão estacionado a partir da lendária data de 566 pela mão de S. Martinho de Dume - , e a Águia do voo dos nosso sonhos e dos antigos cónegos evangelistas – que fundaram a casa-mãe dos lóios em Vilar em 1425 – constituem referências simbólicas fundamentais do nosso presente e do nosso futuro.

 

FERREIRA DE ALMEIDA, Carlos Alberto (1993), Património. Riegl e Hoje, Sep. Da “Revista da Faculdade de Letras”, II Série, Vol. X, Porto, p. 410